Lula e o rebaixamento da Acadêmicos de Niterói em uma poderosa metáfora sobre a erosão institucional
1. A Conexão: O Espetáculo como Armadilha
O rebaixamento da agremiação não foi apenas uma derrota técnica; foi o colapso da soberania estética diante do "Direito do Espetáculo". Ao escolher um enredo de altíssima voltagem política em um ambiente de polarização extrema, a escola abandonou a liturgia do Carnaval — que é a celebração do mito e da cultura — para se tornar um panfleto vivo. No momento em que a arte se submete à militância direta, ela perde a imunidade que o rigor técnico lhe confere. O resultado na apuração é o reflexo do que discutimos: quando o espetáculo tenta pautar a realidade, qualquer falha técnica (como os problemas de evolução e dispersão) torna-se o pretexto final para a queda.
2. O Exemplo Final da Rachadura Estrutural
O episódio de 18 de fevereiro de 2026 deve ser registrado como o exemplo definitivo da Rachadura Estrutural nas instituições brasileiras. Não se trata apenas de samba, mas de como a politização excessiva vicia o julgamento e destrói agremiações.
A escola denunciou "perseguição", enquanto o júri apontou "falta de técnica".
Essa divergência é a mesma que vemos nos tribunais: onde uns veem justiça, outros veem vingança política.
O rebaixamento da Acadêmicos de Niterói simboliza a perda do equilíbrio. Quando uma instituição — seja ela uma Corte ou uma Escola de Samba — decide ser protagonista de um embate ideológico, ela coloca sua própria sobrevivência em risco, tornando-se vulnerável ao peso da própria narrativa que tentou sustentar.

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